5 motivos que comprovam que o design é uma peça chave para a inovação.

Definitivamente, as pessoas estão matando as grandes ideias no Brasil. É provável que muitas das pessoas que se julgam criativas podem ter a mesma ideia que a sua. E essas pessoas acreditam que suas ideias podem realmente mudar o mundo, mas infelizmente a maioria desses projetos não vão pra frente.

A diferença desses, quando comparados com ideias de sucesso, porém até menos geniais em alguns casos, é basicamente a maneira como são executadas. Grande parte dessa culpa é a execução. Não adianta ter aquele insight brilhante, mas ao colocar o projeto efetivamente em prática, conduzir tudo de uma forma desorganizada sem se atentar aos detalhes.

Sendo assim, vamos categorizar nessa publicação 5 motivos (do ponto de vista de um designer) sobre porquê o design pode ser uma das principais peças para se alcançar inovação de fato com execuções impecáveis. Vale lembrar que não estamos falando de aplicativos, campanhas ou produtos, mas sim de ideias e projetos de maneira geral.

  1. O foco no usuário.

Todos os dias ouvimos falar muito em usuário, e usuário, e usuário… Mas, na realidade, o que fazer com esse cara? Na maioria das vezes os projetos não visam resolver os problemas desse que do ponto de vista do design é o ator principal de qualquer solução. E aí está o principal erro. Acreditamos que a ordem seja: resolver problema de pessoas, e a partir disso, colher a resposta do mercado. A dica é não colocar a carroça na frente dos bois, pense bem.

Você já pensou em comprar um iPad antes mesmo do aparelho existir? Provavelmente a resposta seja não, mas depois de assistir uma apresentação da Apple e perceber o quanto suas funcionalidades podem ajudar no seu dia a dia enquanto usuário, certamente você pode pensar na possibilidade de adquirir esse produto tão inovador. Será que a relação seria a mesma se o aparelho fosse apenas barato e tecnológico, mas não apresentasse ao usuário de fato grandes soluções?

  1. A forma como o design pensa e visualiza a solução de problemas.

O design é totalmente visual. Desde a concepção da ideia até a execução. É exatamente por isso que construimos painéis para definir público alvo, usamos post-its para lembrar das coisas e desenhamos tabelas para definir estratégias (daí vem o Canvas Model Board), e por aí vai… E esse costume ajuda – e muito – a visualização do projeto como um todo, para que possamos controlar todas as variáveis e ficar atentos a todas as informações.

Além disso, o designer costuma usar diversas ferramentas desde o início do projeto para tentar visualizar a proposta final independente de qual seja a etapa. Na maioria das vezes as ferramentas são caneta e um pedaço de papel, por isso é comum ver o designer já esboçando traços de uma possível proposta final ainda na reunião de briefing. É a tal da prototipagem a qualquer hora, mãos na massa sempre que pintar uma nova observação.

Não acredita que o visual faz tanta diferença assim? Então como você explica quando não conseguem te convencer via telefone que um seguro é importante para o seu carro, mas você é totalmente convencido quando vê a imagem na internet de um modelo semelhante ao seu todo destruído após uma batida, e ao lado o valor (em reais) do quanto foi o prejuízo.

  1. A interação.

Tem que ser fácil, tem que ser intuitivo. Certamente você já deve ter ouvido um designer dizer que menos é mais… E é isso mesmo.

Não adianta só ser bonito, tem que ser intuitivo. Ok, mas o que é ser intuitivo? Vamos lá… Lembra dos celulares de botão (não faz tanto tempo assim, vai), e lembra como fazíamos para escrever uma mensagem de texto nesses celulares? Hoje é bem mais fácil desempenhar essa tarefa, concorda?

Isso porque a tecnologia, e principalmente as interfaces atuais são mais intuitivas. Um exemplo: para escrever a palavra “casa”, basta usar o teclado do seu smartphone, tocando na tela as posições correspondentes as teclas C-A-S-A. Uma vez que num aparelho como o Nokia 2280, para escrever a mesma palavra teríamos que clicar 3 vezes no número 1, mais uma vez no número 1, quatro vezes no número 4 e novamente mais uma vez no número 1.

Perceba que a forma com que essa facilidade é apresentada, leva em consideração a lógica que as pessoas fazem e agem, ao usar qualquer coisa que elas não fazem ideia de como funciona. E é exatamente essa a “fórmula” que os designers tentam encontrar (mesmo sem saber) em suas criações, quaisquer que sejam elas.

Será esse um dos motivos da redução do número de páginas dos manuais de instrução que acompanham os produtos que compramos? Ou será por isso ainda que dificilmente lemos cada linha dos textos ali descritos antes de sair usando o produto? Sim, o motivo é exatamente esse. As coisas ficaram mais fáceis e menos chatas… E devem continuar sendo assim!

  1. Fazer o que nunca antes foi feito.

O designer, e principalmente o design enquanto ciência, é naturalmente questionador. Perceba a quantidade de argumentos que você tem que usar para fazer com que um cara desses acredite que uma alteração deve mesmo ser feita.

Porém, todo esse questionamento não faz apenas com que esses caras sejam teimosos ou um pouco “inflexíveis”. O exercício de se autoquestionar leva a comprovação – ou não – de que determinada estratégia ou solução vai dar certo.

Subjetivamente esse pensamento, quando feito de forma colaborativa, leva a um caminho cujo o ponto final é a inovação. Isso é comprovado quando dizem que criar qualquer coisa é sair e voltar da loucura diversas vezes. Por definição, só inovamos quando pensamos em fazer coisas que nunca antes foram feitas. Para pensar dessa forma a loucura é um prato cheio, e vamos combinar que essa característica os designers têm de sobra.

  1. E por último, mas não menos importante… A estética.

Sim, tem que ser bonito. Você não se interessa à primeira vista por ninguém que é feio, tampouco outras pessoas se interessariam em acessar um site horrível, ler um material impresso mal feito, ou comprar um produto todo cheio de imperfeições. Concorda?

Bom, e se precisa dar aquele talento no visual, está falando com as pessoas certas: os designers. Só não pense que a estética é apenas uma casquinha legal por fora de uma estratégia mal feita ou um produto mal pensado. Ela é muito mais valiosa quando combinada a excelência de todos os outros fatores que fazem parte do sistema.

Tão valioso quanto todo esse apelo estético, é o conceito que geralmente está por trás disso. Essa é a diferença de um designer quando comparado a um mero operador de softwares de manipulação de imagens. O designer pensa no conceito, no significado e como isso irá refletir o posicionamento estratégico do projeto, criando dessa forma não só os detalhes bem apresentáveis, mas costurando todos os pontos fortes e características de forma concreta, e entregando como produto final a “cara” do projeto assim como o jeito que ele comunica e se apresenta.

O mais legal é que tudo que criamos é reflexo daquilo que vivemos, consumimos,  do nosso comportamento, nossa cultura, o que ouvimos de música, os livros que lemos, entre outras coisas. Dessa forma vale lembrar a máxima: diga como vives, que digo o que crias.

Importante ressaltar que o design não é a solução de todos os problemas da humanidade, muito menos o motivo de sucesso das grandes ideias. É apenas uma parte do todo, embora essa parte seja bastante importante. Sendo assim, se deseja ter sucesso em sua trajetória, um dos poucos conselhos que posso lhe dar é que segure na mão de um coleguinha designer e vai, ou então que pratique alguns exercícios semelhantes aos que praticam os designers em sua rotina de trabalho. Com certeza isso fará de você um profissional mais criativo e inovador.

Por: Thomas Cosin
Bacharel em Design pela Universidade Estadual de Maringá
Pós Graduação em Gestão Estratégica do Design pela Universidade Estadual de Londrina

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